Mais mulheres, menos homens

De todos os grandes conflitos armados e guerras da atualidade, nenhuma das nações envolvidas é presidida por uma mulher.
Durante a pandemia, foi uma mulher — Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia — quem teve atuação exemplar na comunicação, na gestão e na organização do país durante um dos episódios mais tristes da nossa história recente, combatendo a desinformação e o negacionismo.
O feminicídio não é um fenômeno recente: ocorre há séculos, ainda que só tenha recebido nome e reconhecimento jurídico nos últimos anos. De janeiro a outubro, a cidade de São Paulo registrou 53 casos, o número mais alto desde 2015. No estado, foram 207 feminicídios neste ano; no mesmo período de 2024, haviam sido 191.
Além de ações, militância, conscientização e outros mecanismos, há uma medida que me parece essencial: colocar mais mulheres nos principais cargos políticos — até que sejam maioria.
É obrigatório que os partidos reservem 30% das candidaturas para mulheres. Mesmo assim, o número de mulheres eleitas ainda gira em torno de 20%, enquanto 80% dos cargos seguem ocupados majoritariamente por homens, em grande parte brancos e pertencentes às elites, com todos os privilégios estruturais que isso implica.
A menos de um ano das próximas eleições — para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual — talvez a principal reflexão seja: precisamos delas, mais do que nunca, ocupando esses cargos e esses espaços de poder.
E nós, como eleitores, podemos e devemos priorizar candidaturas nesse sentido.

*Antonio Gelfusa Junior é professor, publicitário e especialista em comunicação digital.